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Professor Milton Rosa obtém o certificado de pós-doutorado da USP

O professor Dr. Milton Rosa obteve o certificado de Pós-Doutorado do Programa de Pós-Doutorado do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Prof. Milton desenvolveu o projeto intitulado "Explorando sistemas de conhecimento matemático local por meio da etnomodelagem: as abordagens êmica, ética e dilética" sob supervisão da Profa. Dra. Maria do Carmo dos Santos Domite.

Esse projeto foi desenvolvido no período de 01/10/2013 a 31/03/2014, sendo que houve a sua apresentação na FEUSP no dia 13 de Maio de 2014.

Por meio desse projeto foi abordado o estudo da aplicação dos métodos da modelagem que frequentemente examinam como os membros de grupos culturais distintos desenvolvem e desenvolveram o conhecimento matemático local. Contudo, o que é menos evidente é a percepção de que o pensamento matemático pode ser parte da maneira como os pesquisadores e investigadores raciocinam e encontram sentido para o quadro cultural subjacente no qual as ideias, noções, procedimentos e práticas matemáticas desenvolvidas pelos membros desses grupos são incorporadas nas atividades realizadas no cotidiano. Nessa pesquisa, são apresentadas argumentações que conectam o conhecimento matemático com a cultura, que são apropriadas e necessárias para o entendimento do desenvolvimento do conhecimento matemático local visando providenciar uma compreensão holística das práticas matemáticas desenvolvidas localmente.

Então, a cultura pode ser considerada como uma lente que formata a realidade e que frequentemente elabora um diagrama para especificar um plano de ação que é único para um grupo específico de pessoas, que crescem, aprendem e atuam diariamente em ambientes distintos como o econômico, o social, o cultural, o político e o natural. Assim, o principal objetivo dessa pesquisa científica e discutir o papel de uma base teórica da etnomatemática e da modelagem para o desenvolvimento da etnomodelagem, que pode ser definida como um programa de pesquisa que estuda os fenômenos matemáticos desenvolvidos pelos membros de um determinado grupo cultural, pois é um construto social que é culturalmente enraizado. Nesse contexto, esse estudo teórico apresenta pesquisas relacionadas com a utilização de ambos os conhecimentos êmico e ético por meio da aplicação da abordagem dialógica encontrada na pesquisa em etnomodelagem. Um dos principais objetivos do processo da etnomodelagem é determinar como as práticas matemáticas são localmente desenvolvidas (abordagem êmica) e como são utilizadas no cotidiano dos membros de grupos culturais distintos, que estão contextualizados em um ambiente definido de acordo com a sua história, linguagem e cultura.

Assim, o conhecimento êmico é essencial para o entendimento intuitivo e empático das ideias matemáticas dos membros de uma determinada cultura, sendo essencial para a condução das pesquisas de campo. É importante ressaltar que esse tipo de conhecimento também é uma fonte de inspiração para a formulação de hipóteses éticas. Por outro lado, o conhecimento ético pode ser uma considerado como uma ferramenta essencial para realizar comparações entre grupos culturais distintos. Contudo, esses conhecimentos providenciam os componentes essenciais para a condução do trabalho de campo, por meio do qual esse tipo de comparação demanda, necessariamente, a utilização de unidades e categorias padronizadas.

Porém, para que o trabalho investigativo seja conduzido adequadamente, é necessário que os pesquisadores e investigadores entendam e compreendam os outros por meio de uma relação cíclica de estranhamentos que podem ocorrer durante a realização de encontros dialógicos.

Nesse jogo de estranhamento ocorrem constantes transformações nas leituras de mundo que estão relacionadas com o fato de se estar lá no campo ou de se estar aqui na academia. O entendimento desse movimento indissociável de ir e vir entre o estar lá no campo e o estar aqui na academia facilita o estabelecimento de relações simétricas na interação dialógica que permeia o encontro entre os insiders (estabelecidos) e os outsiders. Na condução do trabalho de campo, é necessário que os pesquisadores e investigadores reconheçam o movimento de ir e vir, de aproximação e de distanciamento, que necessitam ser igualmente realizados.

Dessa maneira, o entendimento e a compreensão do conhecimento êmico dos outros, em seus próprios termos, pelos pesquisadores e investigadores que estão lá no campo é uma etapa importante das pesquisas e investigações em etnomodelagem. Dessa maneira, quando esses profissionais estão lá no campo encontram-se refletindo sobre os fenômenos observados como se estivessem aqui em seu ambiente de trabalho na academia tentando captar os significados do conhecimento matemático desenvolvido pelos membros de um determinado grupo cultural. Nesse contexto, é de fundamental importância a compreensão da posicionalidade dos pesquisadores e investigadores e de seus informantes, valorizando a bagagem sociocultural, teórica e as concepções de mundo de cada um desses indivíduos. Então, o entendimento da posicionalidade é uma condição necessária para que a relação e a interação dialógica se manifeste no trabalho de campo realizado nas pesquisas e investigações em etnomodelagem.

Do ponto de vista da etnomodelagem, as abordagens êmica e ética podem ser consideradas como dois lados de uma mesma moeda. Neste sentido, é necessário que os pesquisadores e investigadores desenvolvam pesquisas em etnomodelagem com a utilização de ambas as abordagens para que possam obter uma compreensão mais completa do conhecimento matemático desenvolvido pelos membros desses grupos por meio de uma interação dialógica.

Finalizando, um dos principais objetivos da condução de pesquisas e investigações em etnomodelagem é a aquisição dos conhecimentos êmico e ético.

O conhecimento êmico é essencial para a compreensão intuitiva e empática das ideias matemáticas desenvolvidas pelos membros de um determinado grupo cultural, sendo essencial para a realização de um trabalho de campo eficaz, pois é uma fonte de inspiração para a formulação de hipóteses éticas. Por outro lado, o conhecimento ético é essencial para a comparação intercultural por meio dos componentes da etnologia que exige unidades padrão e categorias comparativas. Do ponto de vista dialógico, a condução de pesquisas e investigações fundamentadas metodologicamente pelas abordagens êmica e ética possibilita a obtenção de um entendimento completo e uma compreensão ampla sobre os conhecimentos matemáticos desenvolvidos pelos membros de grupos culturais distintos.

 


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